13 Anos: Adolescência em Alta Intensidade

13 Anos: Adolescência em Alta Intensidade

Onde a mãe não sabe nada, está sempre errada, mas continua a resolver tudo, sempre com muito amor e carinho.

Ser mãe de uma adolescente de 13 anos é, por si só, uma experiência intensa. Não vem com manual de instruções, muda de regras todos os dias e exige uma capacidade de adaptação digna de atleta olímpica. Agora juntemos a isso o facto de ela ser atleta de competição. O resultado? Uma vida onde o caos é organizado… mais ou menos.

De um dia para o outro, a nossa filha passa de pedir colo e panquecas a comunicar quase exclusivamente através de revirar de olhos e respostas monossilábicas. Tudo o que dizemos está errado. A forma como falamos, respiramos ou escolhemos a roupa é profundamente embaraçosa. E o clássico “tu não percebes nada” passa a fazer parte do nosso vocabulário diário, mesmo quando temos anos de experiência de vida — um detalhe completamente irrelevante para quem tem 13 anos.

A comunicação torna-se um verdadeiro desafio. Perguntamos como correu o dia e a resposta é “normal”. Um “normal” que pode significar desde “correu bem” até “a minha vida acabou hoje”. Aprendemos a ler sinais subtis: a forma como entra em casa, o tom com que larga a mochila, a maneira como fecha a porta do quarto. Tudo é informação valiosa.

E depois há as emoções. Vividas no máximo, sentidas com intensidade e expressas de forma dramática. Pequenos problemas transformam-se rapidamente em grandes crises existenciais. Como mães, oscilamos entre rir por dentro e fazer um esforço consciente para não dizer aquela frase que será lembrada… para sempre.

Agora, acrescentemos a Escola a esta equação já complexa.

Conciliar estudo com treinos de competição é um verdadeiro exercício de malabarismo. Horários apertados, testes marcados para as semanas de competição, trabalhos de grupo “urgentes” e um cansaço acumulado que não vem explicado nos manuais escolares. A teoria diz que “é só organizar o tempo”. A prática diz que o dia precisava, no mínimo, de mais oito horas.

E é aqui que nós, mães, assumimos mais um papel inesperado: professoras improvisadas. Sem formação pedagógica, mas com uma paciência altamente variável. De repente, estamos a rever matéria, a explicar equações que não víamos desde o século passado e a tentar perceber novos métodos de ensino enquanto pensamos: “No meu tempo isto não era assim”. Tudo isto depois de um dia inteiro de trabalho e já depois do treino, quando ambas temos de ir buscar energia a locais improváveis e cientificamente inexplicáveis: ao fundo das costas, às pernas que já desistiram, ao chão da cozinha, ao sofá e, em último recurso, a uma reserva de sobrevivência que só aparece quando percebemos que ainda faltam os trabalhos de casa — e que ninguém, absolutamente ninguém, vai fazê-los por nós.

Explicamos, repetimos, desenhamos esquemas, respiramos fundo. Ela suspira. Nós suspiramos. Há momentos em que ambas questionamos as nossas escolhas de vida. E quando finalmente percebe a matéria, sentimos uma vitória tão grande como qualquer medalha. Pequena, silenciosa, mas absolutamente merecida.

Depois, voltamos à logística habitual.

Acordar cedo deixa de ser uma opção. Passa a ser um modo de vida. Enquanto o mundo ainda dorme, já estamos a preparar pequenos-almoços equilibrados, a confirmar se o equipamento de treino está completo (raramente está), verificar mochila da escola, preparar lancheira e a tentar parecer funcionais sem café suficiente no organismo.

As mochilas multiplicam-se: escola, treino, competição. As malas nunca estão certas e há sempre qualquer coisa esquecida — normalmente o item mais importante. Quando ouvimos “Mãe, não faz mal”, sabemos que faz, mas seguimos em frente com a serenidade possível.

O cansaço instala-se. Delas, que treinam intensamente num corpo em crescimento. Nosso, que acumulamos papéis: mães, motoristas, nutricionistas improvisadas, professoras de apoio, psicólogas emocionais, fisioterapeutas esforçadas e fãs número um. Tudo isto enquanto fingimos que temos tudo sob controlo.

E as emoções, claro, não dão tréguas. Uma vitória é o melhor dia de sempre. Uma derrota é o fim do mundo, da carreira e, possivelmente, do universo conhecido. Isto aplica-se à Escola e à Competição na mesma proporção. Ouvimos, apoiamos, validamos e repetimos frases motivacionais com convicção… mesmo quando por dentro só pensamos: “Isto vai passar.”

E depois há os fins-de-semana em competições: pavilhões frios, bancadas desconfortáveis e cafés duvidosos. Batemos palmas até doerem as mãos, sorrimos quando corre bem e engolimos o nó na garganta quando não corre. Tudo com uma calma exterior cuidadosamente ensaiada, porque ela não pode perceber o quanto estamos nervosas.

Há dias difíceis. Dias de silêncio, portas fechadas e respostas secas. Dias em que somos o alvo mais próximo da frustração, do cansaço e da pressão. Aprendemos, com o tempo, que muitas vezes não é pessoal. É a idade. É o corpo cansado. É a exigência. É crescer.

E depois há aquele pequeno detalhe quase científico: passamos dias a empenhar-nos como mães, a explicar, a aconselhar e a repetir exactamente as mesmas coisas — que são sistematicamente ignoradas, discutidas ou recebidas com um revirar de olhos profissional. Mas basta o treinador dizer a mesma frase, com metade das palavras e zero emoção, para passar imediatamente a lei absoluta cá em casa. Estou seriamente a considerar entregar-lhe uma lista oficial de pedidos: arrumar o quarto, estudar sem drama, desligar o telemóvel e, se possível, responder à mãe sem suspiros exagerados. Afinal, se vem do treinador, cumpre-se.

Mas, no meio deste caos emocional, académico e logístico, existem momentos absolutamente preciosos. Um abraço inesperado. Uma gargalhada fora de contexto. Uma conversa à noite que surge do nada. O brilho nos olhos quando fala do que mais gosta ou algo que a fez feliz naquele dia.

Ser mãe de uma adolescente de 13 anos, atleta de competição, é cansativo. É exigente. É uma verdadeira prova de resistência emocional. Mas também é uma oportunidade única de aprender a ouvir mais, a julgar menos e a amar com uma paciência que não sabíamos que tínhamos.

E quando, no fim do dia, ela larga as mochilas, se atira para o sofá e diz “Mamã, dás-me um leitinho quente…” com aquele tom que ainda soa a criança, percebemos que, apesar de tudo, estamos exactamente onde devíamos estar.

Mesmo que amanhã o despertador toque às seis da manhã. EM

 

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1 comentário

Estou famosa💓🏆

Matilde Barbosa

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